A Polícia Federal apreendeu “santinhos” do deputado federal eleito Márcio Canella (União Brasil-RJ) na casa de um dos investigados na Operação Backbone, nesta segunda-feira (19). A casa fica na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio, e pertence ao responsável por um dos provedores de internet investigados por ligação com o Comando Vermelho, segundo apurou a TV Globo.
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Os panfletos não estavam na casa de Lucca Nepomuceno, irmão do rapper Oruam, preso na mesma operação, como chegou a ser divulgado, e sim na residência de outro investigado. Os impressos não traziam o número do candidato. Havia um QR Code que levava a uma página de links do político e um pedido de voto para ele e para Antonio Rueda, eleito deputado federal. A apreensão de material de campanha não indica, por si só, que o deputado tenha relação com a investigação, e a PF não apontou isso até o momento.
A Operação Backbone investiga o monopólio de serviços de internet em comunidades dominadas pelo Comando Vermelho. Segundo a PF, provedores que atuam nos complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão também são usados para lavar dinheiro da facção. Até a última atualização, 20 dos 23 mandados de prisão preventiva haviam sido cumpridos. Entre os presos estão a mãe e o irmão de Oruam e o vereador do Rio Fabio Silva (Podemos). Um mandado também foi cumprido contra Marcinho VP, que já estava preso.
A Justiça determinou ainda o bloqueio de até R$ 558 milhões em bens e valores de 40 pessoas físicas e 42 empresas, além da suspensão das atividades das empresas investigadas.
Canella, ex-prefeito de Belford Roxo e segundo deputado estadual mais votado do Rio nas eleições, foi preso pela PF na quinta-feira (15), em outra investigação, a Operação Unha e Carne. Segundo a PF, ele é apontado como articulador de uma organização criminosa armada que usaria uma rede de 96 postos de combustíveis na Região Metropolitana como plataforma de lavagem de dinheiro, e também é investigado por corrupção ativa e passiva e formação de cartel. A PF diz que os postos movimentaram R$ 7,6 bilhões em seis anos. A defesa dele afirmou que confia “em Deus e na Justiça” e tem certeza de que os fatos serão esclarecidos.
As duas operações fazem parte de investigações da PF no contexto da ADPF 635, a chamada ADPF das Favelas, em que o Supremo Tribunal Federal determinou que a PF investigasse as relações de agentes públicos com facções criminosas. Os investigados são considerados inocentes até condenação definitiva.
O espaço segue aberto para esclarecimentos e atualizações sobre o caso.
