A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta segunda-feira (19), a Operação Backbone, que mira uma estrutura ligada a uma facção criminosa acusada de impor, com armas e ameaças, o monopólio do fornecimento de internet nos complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão, na capital fluminense. Segundo a PF, o grupo também usa empresas provedoras para lavar o dinheiro obtido com a atividade.
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Na ação, os policiais federais cumprem 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), nos municípios do Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, São João de Meriti, Teresópolis, Maricá e Magé. Parte dos mandados de prisão será cumprida no sistema prisional, inclusive em uma unidade do Sistema Penitenciário Federal.
A Justiça também determinou o bloqueio de bens e valores de até R$ 558 milhões, que alcança 40 pessoas físicas e 42 empresas, além da suspensão das atividades econômicas das empresas investigadas, entre provedores de internet, produtoras de eventos, uma empresa de contabilidade e empresas de fachada. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) será oficiada para cassar as outorgas e interditar os serviços das empresas, com providências para garantir a continuidade do serviço aos moradores.
De acordo com as investigações, traficantes armados cortam cabos e incendeiam caixas de distribuição de operadoras regulares e concorrentes, impedem reparos e obrigam moradores e comerciantes a contratar a chamada “internet do tráfico”. Os provedores autorizados pela facção pagariam mensalmente uma “tarifa” pelo direito de operar no território. Registros contábeis da própria facção indicam que, em um único mês, a cobrança do serviço de internet respondeu por mais de 40% de toda a arrecadação do grupo no Complexo da Penha.
A PF afirma ainda que um dos líderes de longa data da facção, preso há quase três décadas e custodiado no Sistema Penitenciário Federal, continuaria controlando as atividades empresariais nesses territórios, com familiares e outras lideranças. Os lucros chegariam à família por meio de empresas arrecadadoras, operadores financeiros e contas de passagem, e seriam disfarçados em produtoras de eventos, empresas de publicidade, imóveis de alto padrão, pagos em dinheiro vivo, e criptoativos.
Os investigados responderão por domínio social estruturado, crime que pune grupos que usam violência, grave ameaça e coação para impor controle territorial e social. Também poderão responder por extorsão majorada, atentado contra a segurança de serviço de utilidade pública, interrupção de serviço telemático, desenvolvimento clandestino de telecomunicações e lavagem de dinheiro. Os nomes dos investigados não foram divulgados, e eles são considerados inocentes até condenação definitiva.
A ação integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, coordenada pela PF para combater organizações criminosas no estado do Rio de Janeiro, conforme as diretrizes do STF na ADPF 635.
O espaço segue aberto para esclarecimentos e atualizações sobre o caso.
